Dólar canadense perde força antes da divulgação dos dados de emprego dos EUA e do Canadá

  • USD/CAD ganha força e se aproxima de 1,4050 no início da sessão europeia de sexta-feira.
  • A busca por ativos de refúgio e o clima de cautela sustentam o dólar americano.
  • Os operadores se preparam para os relatórios de emprego dos EUA e do Canadá, que serão divulgados ainda nesta sexta-feira.

O par USD/CAD ganha impulso e se aproxima de 1,4050 nas primeiras horas do pregão europeu de sexta-feira. O dólar americano (USD) avança ligeiramente em relação ao dólar canadense (CAD), impulsionado pela demanda por ativos de refúgio após a forte queda das ações nos EUA. Os mercados podem adotar uma postura cautelosa ainda nesta sexta-feira, antes da divulgação dos dados de emprego dos EUA e do Canadá.

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Os operadores acompanharão de perto o relatório de emprego dos EUA em busca de mais sinais sobre as perspectivas para os juros no país. Os economistas esperam a criação de 65.000 vagas de emprego fora do setor agrícola (NFP) em outubro, ante 29.000 em setembro. A projeção é de que a taxa de desemprego permaneça no patamar muito baixo de 4,2%.

Se os relatórios apresentarem resultados mais fortes do que o esperado, isso poderá reforçar os argumentos a favor de aumentos dos juros nos EUA e sustentar o dólar americano. Por outro lado, quaisquer sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano poderão pressionar o USD no curto prazo.

"Os dados recentes sugerem uma melhora no mercado de trabalho, e esperamos que essa tendência continue neste relatório", disseram analistas do MUFG, referindo-se aos dados do NFP.

No Canadá, os mercados esperam que a economia recupere parte das perdas em outubro, com o consenso apontando para a criação modesta de 13.600 empregos. A previsão é de que a taxa de desemprego canadense permaneça inalterada em 6,5% em outubro.

Dólar canadense avança, mas Scotiabank alerta para fundamentos frágeis e suporte do USD/CAD

Analistas do Scotiabank observam que, embora o dólar canadense tenha se fortalecido, “o desempenho relativo da moeda é um pouco menos expressivo em comparação com seus pares e destaca seu papel como moeda de risco e ligada a commodities com beta mais baixo”. Eles acrescentam que “a força do CAD é, ainda assim, notável e ameaça levar a moeda a novas máximas locais à medida que reverte a queda acentuada do início de setembro”, mas alertam que o movimento não é plenamente sustentado pelos fatores fundamentais.

O Scotiabank ressalta: “Mantemos, porém, certa cautela, diante da nova ampliação dos diferenciais de rendimento entre os EUA e o Canadá, desfavorável ao CAD, e observamos que a recente força da moeda canadense não foi confirmada pelos fundamentos”. Do ponto de vista técnico, os analistas descrevem sua avaliação como “baixista/neutra”, observando que “a queda mais recente do USD/CAD parece ter dificuldade para se estender muito abaixo da região intermediária de 1,39, e o RSI se estabilizou pouco acima de 30”. O banco afirma: “Continuamos atentos ao suporte de curto prazo na região de 1,3900/1,3920 e vemos resistência acima de 1,4000”, e destaca que “nossa estimativa de valor justo subiu nas últimas sessões e está atualmente em 1,4119”, evidenciando certo desalinhamento entre a cotação à vista e seu modelo de valor justo.

Chart Analysis USD/CAD


Análise técnica: USD/CAD mantém viés neutro no curto prazo

No gráfico diário, o USD/CAD oscila logo acima da média móvel simples (SMA) de 100 dias, mas ainda abaixo da linha central das Bandas de Bollinger de 20 dias, o que mantém o viés de curto prazo predominantemente neutro, com o par negociado dentro de uma faixa. O comportamento do preço sugere que o par está se estabilizando após o recuo recente a partir da banda superior de Bollinger, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI), em torno de 49, reforça a falta de convicção direcional, indicando que nem compradores nem vendedores têm uma vantagem decisiva no momento.

Na alta, a resistência inicial está na linha central das Bandas de Bollinger, em torno de 1,4065, e um fechamento diário acima desse nível abriria caminho para um novo teste da banda superior, perto de 1,4255. Na baixa, o suporte imediato é oferecido pela SMA de 100 dias, em 1,4045, e uma ruptura abaixo desse nível deixaria exposta a região da banda inferior de Bollinger, em torno de 1,3881, onde os compradores poderiam tentar defender o piso da faixa mais ampla de negociação.

(A análise técnica desta notícia foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)

Perguntas frequentes sobre o dólar canadense

Os principais fatores que influenciam o dólar canadense (CAD) são o nível das taxas de juros definido pelo Banco do Canadá (BoC), o preço do petróleo, principal produto de exportação do país, a saúde da economia canadense, a inflação e a balança comercial, que é a diferença entre o valor das exportações e o das importações do Canadá. Outros fatores incluem o sentimento do mercado – se os investidores estão optando por ativos mais arriscados (apetite por risco) ou buscando ativos de refúgio (aversão ao risco) –, sendo o apetite por risco favorável ao CAD. Como os EUA são o maior parceiro comercial do Canadá, a saúde da economia americana também é um fator importante para o dólar canadense.

O Banco do Canadá (BoC) exerce uma influência significativa sobre o dólar canadense ao definir o nível das taxas de juros pelas quais os bancos podem emprestar dinheiro uns aos outros. Isso influencia o nível das taxas de juros para todos. O principal objetivo do BoC é manter a inflação entre 1% e 3%, ajustando as taxas de juros para cima ou para baixo. Taxas de juros relativamente mais altas tendem a ser positivas para o CAD. O Banco do Canadá também pode recorrer à flexibilização e ao aperto quantitativos para influenciar as condições de crédito, sendo a primeira medida desfavorável ao CAD e a segunda favorável.

O preço do petróleo é um fator importante para o valor do dólar canadense. O petróleo é o principal produto de exportação do Canadá, por isso seu preço tende a ter um impacto imediato sobre o valor do CAD. Em geral, se o preço do petróleo sobe, o CAD também se valoriza, já que a demanda agregada pela moeda aumenta. O contrário ocorre quando o preço do petróleo cai. Preços mais altos do petróleo também tendem a aumentar a probabilidade de um saldo positivo na balança comercial, o que igualmente favorece o CAD.

Embora a inflação tenha sido tradicionalmente considerada um fator negativo para uma moeda, por reduzir o valor do dinheiro, o contrário tem ocorrido nos tempos modernos com a flexibilização dos controles sobre os fluxos internacionais de capital. Uma inflação mais alta tende a levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros, o que atrai mais capital de investidores globais em busca de um destino rentável para seus recursos. Isso aumenta a demanda pela moeda local, que, no caso do Canadá, é o dólar canadense.

A divulgação de dados macroeconômicos permite avaliar a saúde da economia e pode afetar o dólar canadense. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção do CAD. Uma economia forte é favorável ao dólar canadense. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o Banco do Canadá a elevar as taxas de juros, fortalecendo a moeda. Se os dados econômicos forem fracos, porém, o CAD provavelmente cairá.