Dólar australiano amplia queda em meio a dados mistos, com decisão do RBA em foco

  • AUD/USD amplia perdas e se aproxima da região de 0,7000, após a máxima de 0,7068 registrada na semana passada.
  • Dados mistos da Austrália e números positivos da indústria chinesa não conseguem impulsionar o dólar australiano.
  • A expectativa predominante é de que o RBA anuncie na terça-feira a quinta alta dos juros do ano.

O dólar australiano (AUD) apresenta um dos piores desempenhos entre as principais moedas nesta segunda-feira e aprofunda a queda frente ao dólar americano (USD), em meio a indicadores macroeconômicos mistos da Austrália e números positivos da atividade industrial chinesa. O par AUD/USD é negociado a 0,7015 na abertura da sessão europeia, aproximando-se do limite inferior da faixa de negociação das últimas duas semanas, na região de 0,7000.

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Os dados macroeconômicos australianos divulgados mais cedo nesta segunda-feira mostraram resultados mistos. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria da S&P Global indicou uma contração mais acentuada, recuando para 49,6 em outubro, ante a expectativa de estabilidade em 49,7. Pelo lado positivo, as licenças de construção se recuperaram, com alta de 5,1% em setembro, bem acima dos 2,1% esperados pelo mercado, revertendo a queda de 5,2% de agosto.

Além disso, o PMI industrial RantingDog da China mostrou que a atividade do setor cresceu a um ritmo de 52,0  em outubro, abaixo dos 52,1 de setembro, mas acima dos 51,6 esperados pelo mercado.

Reunião do RBA é vista como decisiva diante da piora das perspectivas de inflação na Austrália

Na Austrália, o destaque da semana é a decisão de política monetária do Banco da Reserva da Austrália (RBA), prevista para terça-feira. Analistas do Rabobank observam que a expectativa predominante é de que o banco central “anuncie uma nova alta de 25 pontos-base nos juros”, o que “marcaria o quinto aumento dos juros neste ano e elevaria a meta da taxa básica para 4,85%”.

O Rabobank também destaca a mudança no discurso sobre a inflação, ressaltando que o vice-presidente do RBA, Hauser, afirmou recentemente que as perspectivas de inflação na Austrália ficaram “substancialmente piores” e alertou que, com os “acontecimentos ainda por se desenrolar no Oriente Médio nesta semana, a situação pode piorar ainda mais”.

Nos EUA, o foco principal está nas eleições de meio de mandato de terça-feira, que devem alterar o equilíbrio de forças no Congresso e talvez até no Senado. Esse resultado provavelmente levará a um impasse sobre o teto da dívida em 2027 e também poderá frear os planos de construção de centros de dados, em um momento em que surgem incertezas sobre o setor de inteligência artificial (IA).

Antes disso, espera-se que o PMI de serviços do ISM dos EUA mostre um forte crescimento, sustentando o discurso de excepcionalismo econômico americano e reforçando os argumentos a favor de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em dezembro.

Perguntas frequentes sobre o RBA

O Banco da Reserva da Austrália (RBA) define as taxas de juros e conduz a política monetária da Austrália. As decisões são tomadas por um conselho de dirigentes em 11 reuniões anuais e em reuniões extraordinárias de emergência, conforme necessário. O principal mandato do RBA é manter a estabilidade de preços, o que significa uma taxa de inflação de 2% a 3%, mas também “...contribuir para a estabilidade da moeda, o pleno emprego e a prosperidade econômica e o bem-estar do povo australiano”. Sua principal ferramenta para alcançar esses objetivos é elevar ou reduzir as taxas de juros. Taxas de juros relativamente altas fortalecem o dólar australiano (AUD), e vice-versa. Outras ferramentas do RBA incluem a flexibilização e o aperto quantitativos.

Embora a inflação tenha sido tradicionalmente considerada um fator negativo para as moedas, por reduzir o valor do dinheiro em geral, nos tempos modernos tem ocorrido o contrário, com a flexibilização dos controles sobre os fluxos internacionais de capitais. Uma inflação moderadamente mais alta agora tende a levar os bancos centrais a elevar suas taxas de juros, o que, por sua vez, atrai mais capital de investidores globais em busca de um destino rentável para seu dinheiro. Isso aumenta a demanda pela moeda local, que, no caso da Austrália, é o dólar australiano.

Os dados macroeconômicos medem a saúde de uma economia e podem afetar o valor de sua moeda. Os investidores preferem aplicar seu capital em economias seguras e em crescimento, em vez de economias frágeis e em contração. Maiores entradas de capital aumentam a demanda agregada pela moeda nacional e seu valor. Indicadores clássicos, como o PIB, os PMIs da indústria e de serviços, o emprego e as pesquisas de confiança do consumidor, podem influenciar o AUD. Uma economia forte pode incentivar o Banco da Reserva da Austrália a elevar as taxas de juros, o que também favorece o AUD.

A flexibilização quantitativa (QE) é uma ferramenta utilizada em situações extremas, quando a redução das taxas de juros não é suficiente para restabelecer o fluxo de crédito na economia. A QE é o processo pelo qual o Banco da Reserva da Austrália (RBA) emite dólares australianos (AUD) para comprar ativos, geralmente títulos públicos ou de empresas, de instituições financeiras, fornecendo-lhes, assim, a liquidez de que tanto necessitam. A QE costuma resultar em um AUD mais fraco.

O aperto quantitativo (QT) é o oposto da QE. Ele é implementado após a QE, quando a recuperação econômica está em curso e a inflação começa a subir. Enquanto na QE o Banco da Reserva da Austrália (RBA) compra títulos públicos e de empresas de instituições financeiras para lhes fornecer liquidez, no QT o RBA deixa de comprar novos ativos e de reinvestir o principal dos títulos de sua carteira que chegam ao vencimento. Isso seria positivo para o dólar australiano, favorecendo sua valorização.