
O par GBP/USD opera estável perto de 1,3405 nas primeiras horas de negociação da sessão europeia desta terça-feira. Os investidores preferem aguardar antes de assumir posições, à espera de eventos importantes ainda nesta semana, incluindo as eleições de meio de mandato nos EUA, a decisão de juros do Banco da Inglaterra (BoE) e os dados de emprego dos EUA referentes a setembro.

A expectativa é que o BoE eleve sua taxa básica de juros de 3,75% para 4,0% na reunião de política monetária de novembro, na quinta-feira. Esse seria o primeiro aumento desde agosto de 2023, quando a inflação ainda estava acima da meta de 2% do BoE. Analistas do ING afirmaram que, após a alta de juros esperada para quinta-feira, é provável que o BoE faça um novo aumento em fevereiro, mas disseram que a precificação do mercado para as altas de juros do BoE “parece extrema”.
Os investidores acompanharão de perto a coletiva de imprensa em busca de mais sinais sobre as perspectivas para os juros no Reino Unido. Se o presidente do BoE, Andrew Bailey, adotar um tom favorável ao aperto monetário, isso poderá impulsionar a libra esterlina (GBP) frente ao dólar americano (USD) no curto prazo.
Estrategistas do Brown Brothers Harriman observam que as atenções estarão voltadas para a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra e seu Relatório de Política Monetária na quinta-feira, com a “ampla expectativa de que o BoE comece o aperto com uma alta de 25 pontos-base, para 4,00%, após manter os juros inalterados durante todo o ano”. Eles destacam que “a inflação e a atividade econômica mais fortes no Reino Unido justificam a medida”, enquanto se espera uma votação de “7 a 2, com Alan Taylor e Swati Dhingra, favoráveis a uma política monetária mais branda, apoiando a manutenção dos juros”.
O BBH acrescenta que “as sinalizações do BoE e o Relatório de Política Monetária atualizado colocarão à prova as expectativas do mercado de um aperto de 100 pontos-base nos próximos doze meses”, alertando que “a persistência de capacidade ociosa ao longo de todo o horizonte de projeção reforçaria os argumentos para retirar as altas de juros da precificação e limitaria o potencial de valorização da GBP”.
Greene, do BoE, recebe uma pontuação de 7,4/10 no FXS Speechtracker, exatamente em linha com a média histórica, sinalizando uma postura estável, mas firmemente favorável ao aperto monetário. A ênfase de que a desaceleração dos reajustes salariais estagnou em níveis superiores aos compatíveis com uma inflação de 2%, juntamente com projeções de crescimento salarial próximas de 3,5% e uma economia surpreendentemente resiliente, reforça a preocupação de que os efeitos inflacionários de segunda ordem continuem representando um risco relevante.
O apelo de Greene para agir preventivamente contra esses efeitos de segunda ordem, bem como a avaliação de que esses riscos são agora maiores do que se pensava, aponta para uma relutância em apoiar uma rápida flexibilização da política monetária. A sugestão de que a ociosidade no mercado de trabalho pode ter atingido seu pico sustenta a ideia de que as pressões salariais subjacentes podem persistir, um cenário que costuma favorecer a libra à medida que os mercados precificam um viés de aperto monetário mais persistente por parte do BoE.
No gráfico diário, o GBP/USD se mantém acima tanto da média móvel simples (SMA) de 100 dias quanto da SMA de 20 períodos que forma a linha central das Bandas de Bollinger. Em conjunto, esses indicadores sugerem sustentação no curto prazo após a recente recuperação a partir da banda inferior. O Índice de Força Relativa (RSI) de 14 períodos, em 57,9, apresenta um viés favorável sem ainda sinalizar condições de sobrecompra, sugerindo que o impulso de alta continua se desenvolvendo enquanto o preço se aproxima do limite superior da faixa recente de volatilidade.
Na alta, a resistência inicial está no limite superior das Bandas de Bollinger, perto de 1,3465, antes da máxima de 15 de julho, em 1,3558. Mais acima, a próxima barreira a observar é a máxima de 21 de agosto, em 1,3675.
Na baixa, o suporte imediato é observado na SMA de 100 dias, em 1,3385, seguido pela linha central das Bandas de Bollinger, em torno de 1,3320, e depois pela mínima de 15 de outubro, em 1,3184. A continuidade da pressão vendedora abaixo desse nível poderia abrir caminho para a mínima recente da banda inferior de Bollinger, perto de 1,3172.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A libra esterlina (GBP) é a moeda mais antiga do mundo (886 d.C.) e a moeda oficial do Reino Unido. É a quarta moeda mais negociada no mercado de câmbio (FX) mundial, respondendo por 12% de todas as transações, com uma média de US$ 630 bilhões por dia, segundo dados de 2022. Seus principais pares de negociação são GBP/USD, também conhecido como “Cable”, que representa 11% das operações cambiais, GBP/JPY, ou “Dragão”, como é conhecido pelos operadores (3%), e EUR/GBP (2%). A libra esterlina é emitida pelo Banco da Inglaterra (BoE).
O principal fator que influencia o valor da libra esterlina é a política monetária definida pelo Banco da Inglaterra. O BoE baseia suas decisões no cumprimento de seu principal objetivo de “estabilidade de preços”, ou seja, uma taxa de inflação estável em torno de 2%. Seu principal instrumento para alcançar esse objetivo é o ajuste das taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o BoE tenta contê-la elevando as taxas de juros, o que encarece o acesso ao crédito para pessoas e empresas. Isso geralmente é positivo para a GBP, pois juros mais altos tornam o Reino Unido um destino mais atraente para os investidores globais aplicarem seus recursos. Quando a inflação cai para níveis muito baixos, isso indica que o crescimento econômico está desacelerando. Nesse cenário, o BoE considera reduzir as taxas de juros para baratear o crédito, de modo que as empresas tomem mais empréstimos para investir em projetos que gerem crescimento.
Os dados divulgados ajudam a avaliar a saúde da economia e podem afetar o valor da libra esterlina. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços e os dados de emprego podem influenciar a direção da GBP. Uma economia forte é favorável à libra esterlina. Além de atrair mais investimentos estrangeiros, pode incentivar o BoE a elevar as taxas de juros, o que fortalece diretamente a GBP. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, a libra esterlina tende a cair.
Outro dado importante para a libra esterlina é a balança comercial. Esse indicador mede a diferença entre o que um país recebe com suas exportações e o que gasta com importações em determinado período. Se um país produz bens de exportação muito procurados, sua moeda se beneficia da demanda adicional gerada por compradores estrangeiros interessados nesses produtos. Portanto, um saldo comercial positivo fortalece a moeda, enquanto um saldo negativo tem o efeito contrário.