
A rupia indiana (INR) permanece sob pressão em relação ao dólar americano (USD), enquanto os preços do petróleo continuam em alta acentuada devido aos riscos no Oriente Médio. Na abertura das negociações desta sexta-feira, o par USD/INR registra leve alta, para perto de 95,25, aproximando-se da máxima de mais de duas semanas de 95,38 registrada no dia anterior.

No início das negociações desta sexta-feira, o contrato de petróleo bruto da MCX com vencimento em 19 de novembro salta para perto de suas máximas recentes de 9.873 rupias.
Os preços mais altos do petróleo são desfavoráveis às moedas de economias como a Índia, dada a forte dependência das importações de petróleo para atender às suas necessidades energéticas.
Segundo a TD Securities, uma “avalanche de manchetes sobre um acordo” antes das eleições de meio de mandato nos EUA está exercendo pressão significativa sobre o petróleo, com “notícias persistentes sobre negociações de um acordo” pesando sobre o mercado. O banco espera que essa dinâmica persista até a votação, mas acrescenta que não prevê que o Irã aceite um acordo “às vésperas das tensas eleições”.
Ao mesmo tempo, a TD Securities ressalta que, “na prática, os fundamentos continuam indicando uma oferta restrita”, citando ataques a petroleiros e a pressão dos houthis, que “parecem ter conseguido reduzir os fluxos de petróleo do Oriente Médio, ao menos temporariamente”. O banco argumenta que, “enquanto a continuidade dos ataques mantiver um prêmio de risco no mercado, os preços da energia deverão continuar bem sustentados nesta faixa mais elevada”.
Os sinais de recuperação tanto do dólar americano quanto dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também dão força ao par USD/INR.
O Índice do Dólar Americano (DXY), que mede o valor da moeda americana em relação a seis moedas importantes, recupera a maior parte das perdas iniciais e é negociado em torno de 101,78 no momento da publicação. Mais cedo, o índice havia recuado para 101,59.
No momento da redação, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos recuam 0,24%, para perto de 4,93%, mas já recuperaram a maior parte das perdas iniciais após atingirem uma nova mínima de sete semanas, de 4,89%.
O dólar americano e os rendimentos dos títulos ficaram sob pressão, embora o crescimento preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos (EUA) no terceiro trimestre tenha permanecido acima do esperado e o núcleo do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed), tenha acelerado ainda mais.
Na terça-feira, o Escritório de Análise Econômica dos EUA (BEA) informou que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 3,4%, acima da estimativa de 3,2% e dos 2,2% da divulgação anterior.
O núcleo da inflação medida pelo PCE nos EUA subiu 3,1% em setembro na comparação anual, em linha com as expectativas e acima da leitura de 3% de agosto. Na comparação mensal, a alta foi de 0,3%, em linha com as estimativas e com a divulgação anterior.

No gráfico diário, o USD/INR é negociado a 95,25, mantendo um viés levemente baixista no curto prazo, com a cotação à vista abaixo da média móvel exponencial (EMA) de 20 períodos, em 95,32. O par recuou em relação às máximas do fim de setembro, e a perda da EMA de curto prazo sugere que as tentativas de alta estão sendo contidas. Já o Índice de Força Relativa (RSI), em 46,94, permanece pouco abaixo do nível neutro, sinalizando perda de força do movimento de alta, e não uma condição clara de sobrevenda.
Na alta, a resistência imediata está na EMA de 20 dias, perto de 95,32, seguida por 96,00. Na baixa, a mínima de 25 de junho, em 94,16, é o principal nível de suporte.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com a ajuda de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A rupia indiana (INR) é uma das moedas mais sensíveis a fatores externos. O preço do petróleo bruto (o país é altamente dependente de petróleo importado), o valor do dólar americano – a maior parte do comércio é realizada em USD – e o nível de investimento estrangeiro são fatores que a influenciam. A intervenção direta do Banco da Reserva da Índia (RBI) nos mercados cambiais para manter a taxa de câmbio estável, assim como o nível das taxas de juros definido pelo RBI, são outros fatores de grande influência sobre a rupia.
O Banco da Reserva da Índia (RBI) intervém ativamente nos mercados cambiais para manter uma taxa de câmbio estável e facilitar o comércio. Além disso, o RBI busca manter a inflação na meta de 4% por meio de ajustes nas taxas de juros. Juros mais altos costumam fortalecer a rupia. Isso se deve às operações de “carry trade”, nas quais os investidores tomam empréstimos em países com taxas de juros mais baixas para aplicar seus recursos em países que oferecem taxas relativamente mais altas e lucrar com a diferença.
Os fatores macroeconômicos que influenciam o valor da rupia incluem a inflação, as taxas de juros, a taxa de crescimento econômico (PIB), a balança comercial e os fluxos de investimento estrangeiro. Uma taxa de crescimento mais alta pode atrair mais investimentos do exterior, aumentando a demanda pela rupia. Uma balança comercial menos deficitária tende, com o tempo, a fortalecer a rupia. Taxas de juros mais altas, especialmente as taxas reais (juros descontados da inflação), também são positivas para a moeda. Um ambiente de maior apetite por risco pode ampliar os fluxos de investimento estrangeiro direto e indireto (FDI e FII, nas siglas em inglês), que também beneficiam a rupia.
Uma inflação mais alta, sobretudo quando supera a de países comparáveis à Índia, costuma ser negativa para a moeda, pois reflete uma desvalorização decorrente do excesso de oferta monetária. A inflação também aumenta o custo das exportações, levando à venda de mais rupias para pagar pelas importações, o que é desfavorável à moeda. Ao mesmo tempo, uma inflação mais alta costuma levar o Banco da Reserva da Índia (RBI) a elevar as taxas de juros, o que pode ser positivo para a rupia devido ao aumento da demanda de investidores internacionais. Uma inflação mais baixa produz o efeito oposto.