Preço da prata recua com alta dos rendimentos dos títulos dos EUA, mas tensões com o Irã limitam perdas

  • A prata recua quase 0,9% nesta quarta-feira, com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro e o fortalecimento do dólar americano pressionando os metais preciosos.
  • A alta dos preços do petróleo alimenta preocupações com a inflação e reforça as expectativas de um novo aperto monetário pelo Federal Reserve.
  • As tensões persistentes entre os Estados Unidos e o Irã oferecem algum suporte à prata como ativo de refúgio, limitando suas perdas.

A prata (XAG/USD) amplia sua queda nesta quarta-feira e é negociada em torno de US$ 57,50, com recuo de 0,89% no dia no momento da redação. O metal precioso segue pressionado, já que a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) e uma recuperação moderada do dólar americano (USD) reduzem a atratividade dos ativos que não pagam juros. Enquanto isso, a alta dos preços do petróleo reforça as preocupações com a inflação e as expectativas de um novo aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed).

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O dólar americano se recupera da mínima de quase três semanas atingida na terça-feira, sustentado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro e pelas crescentes expectativas de que o Fed mantenha uma postura monetária restritiva. Custos de financiamento mais elevados tendem a pressionar a prata, pois o metal não paga juros, tornando os ativos remunerados relativamente mais atraentes para os investidores.

Os preços do petróleo também contribuem para o cenário de baixa dos metais preciosos. O petróleo Brent sobe aproximadamente 1,6% nesta quarta-feira, enquanto a incerteza em torno das negociações entre Washington e Teerã aumenta os receios de interrupções prolongadas no fornecimento global de energia.

Os esforços diplomáticos para resolver o conflito continuam sem sucesso, apesar das novas tentativas de mediação. O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, chegou a Teerã na terça-feira para facilitar as discussões entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, segundo relatos, as negociações enfrentaram obstáculos significativos após Teerã se recusar a transferir seu material nuclear enriquecido para o exterior.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reconheceu no início desta semana que chegar a um acordo de paz com o Irã continua sendo extremamente difícil, ao mesmo tempo que reiterou a intenção de Washington de manter a pressão econômica sobre Teerã. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também indicou que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado até que os Estados Unidos aceitassem as condições iranianas.

A interrupção contínua do tráfego nessa rota marítima estratégica aumenta as preocupações com o abastecimento global de petróleo, sustentando os preços da energia e elevando o risco de uma inflação persistente. Esses desdobramentos reforçam as expectativas de que o Fed possa voltar a elevar os juros em dezembro, criando pressões adicionais sobre a prata.

Segundo a ferramenta CME FedWatch, os mercados financeiros atualmente atribuem uma probabilidade de quase 90% a uma nova alta dos juros em dezembro. Essas expectativas vêm na esteira dos dados de inflação dos EUA divulgados na semana passada, que superaram as projeções e reforçaram as preocupações com a persistência das pressões sobre os preços.

Ainda assim, a incerteza geopolítica no Oriente Médio pode limitar as perdas da prata ao manter a demanda por ativos de refúgio. O metal, portanto, enfrenta forças opostas: os riscos geopolíticos oferecem algum suporte, enquanto os rendimentos mais elevados e as expectativas de uma política monetária mais restritiva pressionam os preços.

Nos próximos dias, os investidores estarão atentos à reunião de política monetária do Fed, marcada para 28 de outubro, seguida pela divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) dos EUA em 29 de outubro. Por ser a medida de inflação preferida do Fed, o indicador pode fornecer novos sinais sobre a trajetória dos juros nos EUA e influenciar a direção dos preços da prata.

Perguntas frequentes sobre a prata

A prata é um metal precioso amplamente negociado por investidores. Historicamente, tem sido utilizada como reserva de valor e meio de troca. Embora seja menos popular que o ouro, os investidores podem recorrer à prata para diversificar suas carteiras, por seu valor intrínseco ou como uma possível proteção em períodos de inflação elevada. É possível comprar prata física, em moedas ou barras, ou negociá-la por meio de instrumentos como fundos negociados em bolsa (ETFs), que acompanham seu preço nos mercados internacionais.

Os preços da prata podem variar devido a uma ampla gama de fatores. A instabilidade geopolítica ou os receios de uma recessão profunda podem provocar uma forte alta no preço da prata por sua condição de ativo de refúgio, embora em menor grau que no caso do ouro. Como não paga juros, a prata tende a se valorizar quando as taxas de juros caem. Seus movimentos também dependem do comportamento do dólar americano (USD), já que o ativo é cotado em dólares (XAG/USD). Um dólar forte tende a conter o preço da prata, enquanto um dólar mais fraco tende a impulsioná-lo. Outros fatores, como a demanda por investimentos, a oferta proveniente da mineração – a prata é muito mais abundante que o ouro – e os níveis de reciclagem, também podem afetar os preços.

A prata é amplamente utilizada na indústria, sobretudo em setores como eletrônica e energia solar, pois apresenta uma das maiores condutividades elétricas entre todos os metais – superior à do cobre e à do ouro. Um forte aumento da demanda pode elevar os preços, enquanto uma queda tende a reduzi-los. A dinâmica das economias dos EUA, da China e da Índia também pode contribuir para as oscilações dos preços: nos EUA e, principalmente, na China, os grandes setores industriais utilizam prata em diversos processos; na Índia, a demanda dos consumidores pelo metal precioso para a fabricação de joias também desempenha um papel fundamental na formação dos preços.

Os preços da prata tendem a acompanhar os movimentos do ouro. Quando os preços do ouro sobem, a prata geralmente segue a mesma direção, pois ambos têm uma condição semelhante de ativos de refúgio. A relação ouro/prata, que indica o número de onças de prata necessárias para equivaler ao valor de uma onça de ouro, pode ajudar a avaliar o valor relativo dos dois metais. Alguns investidores podem interpretar uma relação elevada como sinal de que a prata está subvalorizada ou de que o ouro está sobrevalorizado. Por outro lado, uma relação baixa pode sugerir que o ouro está subvalorizado em relação à prata.