
O Índice do Dólar Americano (DXY), que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de moedas, atrai alguns compradores na região de 101,60-101,55 nesta segunda-feira e busca ampliar a recuperação de sexta-feira, iniciada perto da mínima de três semanas. O índice mantém modestos ganhos intradiários no início da sessão europeia, mas não encontra força para avançar e permanece abaixo da marca de 102,00, enquanto os operadores preferem aguardar mais sinais sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve (Fed).

Assim, as atenções continuarão voltadas para o resultado da reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira, e para os comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, durante a coletiva de imprensa após a reunião. Além disso, a divulgação da estimativa preliminar do PIB dos EUA do terceiro trimestre e do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), na quinta-feira, terá um papel fundamental na definição do próximo movimento direcional do DXY.
Enquanto isso, a crescente percepção de que o banco central americano elevará os custos dos empréstimos diante dos riscos inflacionários decorrentes dos preços elevados do petróleo favorece o dólar americano (USD). Além disso, o risco geopolítico continua presente em meio às tensões entre os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita, o que reforça a demanda pelo dólar como ativo de refúgio e sustenta o DXY.
O índice mantém um leve viés de alta acima da média móvel simples (SMA) de 200 períodos no gráfico de 4 horas e do nível de retração de Fibonacci de 38,2% do movimento de alta de setembro a outubro. Além disso, o indicador de convergência e divergência de médias móveis (MACD) mostra sua linha ligeiramente em território positivo, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI), próximo de 50, sugere um impulso neutro, mas estável.
O cenário técnico indica que o DXY pode continuar avançando gradualmente enquanto se mantiver o suporte imediato na retração de 38,2%, em 101,30, que coincide com a SMA de 200 períodos no gráfico de 4 horas. No entanto, um rompimento convincente abaixo dessa confluência de suportes abriria espaço para uma queda até os níveis inferiores de Fibonacci, em 100,78 e 100,27, com uma demanda estrutural mais ampla surgindo na região de 99,53 e 98,60.
Na alta, a resistência inicial está na retração de Fibonacci de 23,6%, em 101,93, seguida por uma barreira mais forte no ponto de referência da máxima do ciclo, perto de 102,96. Novas compras acima da marca de 103,00 serão vistas como um novo gatilho para os compradores e abrirão caminho para a retomada da tendência de alta bem estabelecida, iniciada na mínima de setembro.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O dólar americano (USD) é a moeda oficial dos Estados Unidos da América e a moeda “de fato” de um número significativo de outros países, onde circula ao lado das cédulas locais. É a moeda mais negociada do mundo, respondendo por mais de 88% do volume global de negociações no mercado de câmbio, ou uma média de US$ 6,6 trilhões em transações por dia, segundo dados de 2022. Após a Segunda Guerra Mundial, o dólar americano substituiu a libra esterlina como moeda de reserva mundial. Durante a maior parte de sua história, o dólar americano foi lastreado em ouro, até o Acordo de Bretton Woods, em 1971, quando o padrão-ouro foi abandonado.
O principal fator que influencia o valor do dólar americano é a política monetária, definida pelo Federal Reserve (Fed). O Fed tem dois objetivos: alcançar a estabilidade de preços (controlar a inflação) e promover o pleno emprego. Sua principal ferramenta para atingir esses dois objetivos é o ajuste das taxas de juros. Quando os preços sobem rápido demais e a inflação está acima da meta de 2% do Fed, a instituição eleva os juros, o que favorece o valor do dólar. Quando a inflação cai abaixo de 2% ou a taxa de desemprego está muito alta, o Fed pode reduzir os juros, o que pressiona a moeda americana.
Em situações extremas, o Federal Reserve também pode emitir mais dólares e adotar a flexibilização quantitativa (QE). A QE é o processo pelo qual o Fed aumenta substancialmente o fluxo de crédito em um sistema financeiro paralisado. Trata-se de uma medida não convencional de política monetária, usada quando o crédito se esgota porque os bancos não emprestam uns aos outros por receio de inadimplência da contraparte. É um último recurso quando a simples redução dos juros provavelmente não produzirá o resultado necessário. Foi o instrumento escolhido pelo Fed para combater a escassez de crédito durante a Grande Crise Financeira de 2008. A medida envolve a emissão de mais dólares pelo Fed e sua utilização para comprar títulos do governo americano, principalmente de instituições financeiras. A QE geralmente leva ao enfraquecimento do dólar americano.
O aperto quantitativo (QT) é o processo inverso, no qual o Federal Reserve deixa de comprar títulos de instituições financeiras e não reinveste em novas compras o principal recebido dos títulos de sua carteira que chegam ao vencimento. Geralmente, isso é positivo para o dólar americano.