
O par AUD/USD ganha força e se aproxima de 0,7035 durante o pregão asiático de sexta-feira. O dólar australiano (AUD) registra leve alta frente ao dólar americano (USD), após os dados mais elevados de inflação ao consumidor na Austrália reforçarem as expectativas de aumentos dos juros pelo Banco da Reserva da Austrália (RBA).

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Austrália subiu para 4,3% em setembro, na comparação anual, ante 4,0% em agosto, segundo dados divulgados pelo Departamento Australiano de Estatísticas na quarta-feira. O resultado superou o consenso do mercado, de 4,2%. A presidente do RBA, Michele Bullock, afirmou que as pressões sobre os preços que vinham preocupando a instituição estavam começando a se manifestar.
O relatório reforçou os argumentos a favor de uma alta dos juros pelo RBA na próxima reunião, na terça-feira, e deu suporte ao dólar australiano. Os mercados agora precificam uma probabilidade de quase 80% de aumento da taxa de juros para 4,85% na próxima reunião do conselho do RBA, ante 62% antes da divulgação dos dados, segundo o ASX RBA Rate Tracker.
Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos decidiu manter sua taxa básica de juros, a dos fundos federais, inalterada na faixa de 3,75% a 4%. A diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, votaram contra a decisão, preferindo uma alta de 25 pontos-base (pb).
Os dirigentes afirmaram esperar que os próximos dados ajudem a orientar sua próxima decisão. Os operadores precificam uma probabilidade de 74,9% de alta dos juros em dezembro, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Estrategistas do Brown Brothers Harriman observam que os dados mais recentes de inflação da Austrália “superaram as expectativas, reforçando os argumentos a favor de uma nova alta dos juros pelo RBA e dando suporte ao AUD”. A inflação geral medida pelo IPC subiu “4,3% na comparação anual em setembro (consenso: 4,2%), ante 4,0% em agosto, refletindo o aumento dos custos de habitação e transporte”, com pressões sobre os preços mais intensas do que o banco central havia previsto.
O BBH destaca que “a inflação está consideravelmente pior do que o RBA avaliava em agosto, quando projetou uma inflação geral pelo IPC de 3,6% no fim do ano e uma inflação pela média aparada de 3,3%”. Na visão dos estrategistas, “isso justifica um aperto monetário adicional”, com os futuros da taxa básica do RBA tendo “elevado de 60% para 85% a probabilidade de uma alta de 25 pb, para 4,85%, em 3 de novembro, e ampliado as apostas em outra alta no primeiro trimestre”.
Quanto às medidas de núcleo da inflação, o BBH aponta que “o IPC pela média aparada ficou em linha com o consenso, em 3,6% na comparação anual, ante 3,5% em agosto”. Mais importante para a política monetária, “o IPC pela média aparada do terceiro trimestre, relevante para as decisões de política monetária, ficou elevado, em 3,7% na comparação anual (consenso: 3,6%), ante 3,6% no segundo trimestre”, reforçando a visão de que a inflação subjacente permanece em um nível desconfortavelmente alto para o RBA.
O tom de Warsh na coletiva de imprensa permanece plenamente alinhado ao padrão estabelecido, com a pontuação de 7/10 no FXS Speechtracker igualando a média histórica e ressaltando uma postura consistentemente favorável ao aperto monetário. A declaração central de que “garantir a estabilidade de preços não é uma questão de uma data fixa no calendário” reforça uma abordagem dependente dos dados e focada em resultados, enquanto as referências recorrentes a um “novo remédio monetário”, à retirada de estímulos e à confiança nas expectativas de inflação sinalizam um compromisso contínuo com o combate à inflação, em vez de um compromisso antecipado com uma rápida mudança de rumo. A ênfase em uma meta firme de 2% para a inflação medida pelo PCE, a rejeição de uma meta de inflação “flexível” e o reconhecimento de que os juros estão tornando as condições financeiras mais restritivas e afetando novas tecnologias e os investimentos em bens de capital (CAPEX) reforçam uma narrativa de determinação persistente na condução da política monetária, que, de modo geral, favorece o dólar.
O FXS Fed Sentiment Index saltou 14,39 pontos, para 141,89, aprofundando o viés favorável ao aperto monetário e alinhando-se à pontuação inalterada de 7/10 no FXS Speechtracker. Com o índice muito acima da linha neutra de 100, a combinação de um compromisso firme com a estabilidade de preços em 2% e do reconhecimento de que o “remédio monetário está começando a funcionar” sugere que os mercados devem continuar precificando uma trajetória relativamente restritiva para o Fed, um cenário que tende a sustentar o dólar frente ao euro e ao iene.
No gráfico diário, o AUD/USD mantém um viés moderadamente altista, com a cotação acima da média móvel simples (SMA) de 100 dias e da linha central das Bandas de Bollinger, sugerindo que a recuperação recente conta com o suporte da demanda subjacente. O Índice de Força Relativa (RSI), em 53,4, passou para uma zona entre neutra e positiva, sinalizando que os compradores mantêm a vantagem sem ainda levar o par à condição de sobrecompra.
Na alta, a resistência imediata está na banda superior de Bollinger, em torno de 0,7065, cuja superação sustentada abriria caminho para uma recuperação mais ampla. Na baixa, o suporte inicial está na SMA de 100 dias, em 0,7035, seguido pela linha central das Bandas de Bollinger, perto de 0,6995; um recuo mais acentuado em direção à banda inferior de Bollinger, em 0,6925, provavelmente atrairia novo interesse comprador, mantendo intacta a perspectiva mais ampla favorável à alta.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com a ajuda de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
Um dos fatores mais importantes para o dólar australiano (AUD) é o nível das taxas de juros definido pelo Banco da Reserva da Austrália (RBA). Como a Austrália é um país rico em recursos naturais, outro fator fundamental é o preço de seu principal produto de exportação, o minério de ferro. A saúde da economia da China, seu maior parceiro comercial, também exerce influência, assim como a inflação na Austrália, seu ritmo de crescimento e sua balança comercial. O sentimento do mercado, ou seja, se os investidores estão assumindo maior exposição a ativos de risco (risk-on) ou buscando ativos de refúgio (risk-off), também é um fator, sendo o apetite por risco positivo para o AUD.
O Banco da Reserva da Austrália (RBA) influencia o dólar australiano (AUD) ao definir o nível da taxa de juros pela qual os bancos australianos podem emprestar recursos entre si. Isso influencia o nível das taxas de juros na economia como um todo. O principal objetivo do RBA é manter a inflação estável entre 2% e 3%, ajustando as taxas de juros para cima ou para baixo. Taxas de juros relativamente altas em comparação com as de outros grandes bancos centrais dão suporte ao AUD, enquanto taxas relativamente baixas têm o efeito oposto. O RBA também pode recorrer à flexibilização e ao aperto quantitativos para influenciar as condições de crédito, sendo a primeira medida negativa para o AUD e a segunda, positiva.
A China é o maior parceiro comercial da Austrália, de modo que a saúde da economia chinesa exerce forte influência sobre o valor do dólar australiano (AUD). Quando a economia chinesa vai bem, o país compra mais matérias-primas, bens e serviços da Austrália, elevando a demanda pelo AUD e impulsionando sua valorização. O contrário ocorre quando a economia chinesa não cresce tão rapidamente quanto o esperado. Portanto, surpresas positivas ou negativas nos dados de crescimento da China costumam ter impacto direto sobre o dólar australiano e seus pares cambiais.
O minério de ferro é o principal produto de exportação da Austrália, respondendo por US$ 118 bilhões por ano, segundo dados de 2021, e tem a China como seu principal destino. Por isso, o preço do minério de ferro pode influenciar o dólar australiano. Em geral, se o preço do minério de ferro sobe, o AUD também se valoriza, pois a demanda agregada pela moeda aumenta. O contrário ocorre quando o preço do minério de ferro cai. Preços mais altos do minério de ferro também tendem a aumentar a probabilidade de um superávit na balança comercial australiana, o que também é positivo para o AUD.
A balança comercial, que corresponde à diferença entre o que um país recebe por suas exportações e o que paga por suas importações, é outro fator que pode influenciar o valor do dólar australiano. Se a Austrália exporta produtos muito procurados, sua moeda se valoriza em razão da demanda excedente gerada pelos compradores estrangeiros interessados nesses produtos, em comparação com os gastos do país com importações. Portanto, um saldo positivo na balança comercial fortalece o AUD, enquanto um saldo negativo tem o efeito oposto.