
O Banco do Japão (BoJ) deve anunciar sua decisão de política monetária na sexta-feira, por volta das 02h30 GMT.
Assim como no caso do Federal Reserve (Fed), os mercados financeiros estão confiantes de que o BoJ manterá os juros inalterados, após elevá-los em 25 pontos-base (pbs), para 1,25%, na reunião de política monetária de setembro. Esse é o nível mais alto dos juros no Japão em 31 anos. Até agora neste ano, o BoJ realizou dois aumentos de um quarto de ponto percentual nos juros.

O Commerzbank afirmou em nota que os mercados preveem “a manutenção da taxa overnight, e nenhum dos economistas consultados pela Bloomberg espera uma alta na sexta-feira”. Esse consenso faz com que os investidores concentrem mais atenção no comunicado de política monetária, no relatório de perspectivas do banco central e na entrevista coletiva do presidente Kazuo Ueda, em busca de sinais sobre a política monetária até o fim do ano.
As declarações do presidente do BoJ, Ueda, após a reunião de política monetária de setembro demonstraram sua preocupação com os riscos inflacionários ligados à energia. Ueda também enfatizou a importância de ancorar o núcleo da inflação perto da meta de 2%. Ele reiterou diversas vezes que o banco central continuará na trajetória de aperto monetário.
O discurso de Ueda em 16 de outubro recebeu nota 8,2/10 do Speechtracker da FXStreet, sinalizando uma inclinação moderadamente mais restritiva em comparação com sua pontuação média de 7,5. Ueda ressaltou que a inflação subjacente está “bastante próxima” de 2% e que a evolução da economia e dos preços está, em linhas gerais, alinhada às projeções. O compromisso de “continuar elevando as taxas de juros” enquanto as condições financeiras permanecerem acomodatícias, assim como o plano de discutir possíveis ajustes na avaliação de que a inflação se aproxima de 2%, reforçou um viés de normalização gradual que favorece um cenário de maior firmeza para o iene.
A declaração de Ueda de que “não há grande diferença” entre a avaliação do Banco do Japão sobre as pressões inflacionárias impulsionadas pela inteligência artificial (IA) e a de autoridades econômicas globais, acompanhada da observação de que alguns de seus pares estão mais otimistas quanto à demanda por IA, destaca riscos de alta para os preços que justificam manter o aperto monetário entre as opções. Ao vincular explicitamente o momento e o ritmo das futuras altas de juros ao câmbio, à demanda por IA e aos acontecimentos no Oriente Médio, o discurso delineou uma função de reação sensível aos dados e aos riscos, que oferece apoio adicional ao iene japonês, sobretudo se a demanda relacionada à IA e os choques externos sustentarem a inflação em torno da meta de 2%.
Esses comentários sugerem que Ueda, do BoJ, manterá uma postura restritiva em relação às perspectivas de política monetária e destacará a importância de manter as pressões sobre os preços ancoradas perto da meta de 2% do banco central.
Segundo a pesquisa da Reuters realizada de 13 a 19 de outubro, quase 70% dos economistas, ou 54 de um total de 78, esperavam que o BoJ elevasse sua taxa básica de juros para 1,5% neste trimestre, uma proporção quase duas vezes maior que a da pesquisa anterior, informou a Reuters. O consenso aponta para uma nova alta antes do fim do ano.
A decisão do BoJ sobre os juros, por si só, parece ter pouco potencial para movimentar o par USD/JPY, já que os participantes do mercado estão bastante confiantes na manutenção das taxas. O que poderá ter impacto é o tom das perspectivas de política monetária do BoJ e qualquer sinalização sobre onde a instituição vê a taxa terminal.
Qualquer indicação do BoJ de que poderá se aproximar mais rapidamente da taxa terminal seria favorável ao iene japonês (JPY). Por outro lado, sinais do banco central japonês de que seguirá uma trajetória gradual de aperto monetário poderiam ter pouco impacto sobre a moeda japonesa. Portanto, o balanço de riscos para o USD/JPY está moderadamente inclinado para a baixa.

Tendência: No momento da redação, o USD/JPY é negociado em torno de 157,80. O par permanece em uma faixa estreita entre 156,08 e 159,04 há mais de um mês. A média móvel exponencial (MME) de 20 dias, em 157,77, está estável, indicando que a tendência geral é lateral.
Momentum: O Índice de Força Relativa (RSI) permanece na faixa de 40,00 a 60,00 há um mês, indicando uma forte contração da volatilidade e reforçando a consolidação atual.
Suporte: Na ponta de baixa, o limite inferior da faixa mencionada, em 156,08, é o suporte imediato. O par ficaria exposto à máxima de 14 de setembro, em 155,00, caso não consiga sustentar o nível de 156,08.
Resistência: Na ponta de alta, o obstáculo imediato para o par é o limite superior da consolidação, próximo de 159,04; um rompimento decisivo acima desse nível aumentaria a probabilidade de novas altas em direção a 160,00, seguido pela máxima de setembro, perto de 160,40.
(A análise técnica desta matéria foi redigida com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O Banco do Japão (BoJ) é o banco central japonês, responsável por definir a política monetária do país. Seu mandato é emitir cédulas e realizar o controle cambial e monetário para garantir a estabilidade de preços, o que significa uma meta de inflação em torno de 2%.
O Banco do Japão adotou uma política monetária ultraflexível em 2013 para estimular a economia e impulsionar a inflação em um ambiente de baixa inflação. A política do banco se baseia na flexibilização quantitativa e qualitativa (QQE), ou seja, na emissão de moeda para comprar ativos, como títulos públicos ou corporativos, a fim de fornecer liquidez. Em 2016, o banco intensificou sua estratégia e flexibilizou ainda mais a política monetária, primeiro ao introduzir taxas de juros negativas e, depois, ao controlar diretamente o rendimento dos títulos públicos de 10 anos. Em março de 2024, o BoJ elevou os juros, efetivamente recuando de sua postura de política monetária ultraflexível.
O enorme estímulo promovido pelo banco levou à depreciação do iene em relação às principais moedas. Esse processo se intensificou em 2022 e 2023 devido à crescente divergência de política monetária entre o Banco do Japão e outros grandes bancos centrais, que optaram por elevar fortemente os juros para combater os níveis mais altos de inflação em décadas. A política do BoJ ampliou o diferencial de juros em relação a outras moedas, pressionando o valor do iene para baixo. Essa tendência se reverteu parcialmente em 2024, quando o BoJ decidiu abandonar sua postura de política monetária ultraflexível.
O enfraquecimento do iene e a disparada dos preços globais da energia levaram a um aumento da inflação no Japão, que superou a meta de 2% do BoJ. A perspectiva de aumento dos salários no país – um fator essencial para impulsionar a inflação – também contribuiu para a decisão.