Forex hoje: dólar americano consolida ganhos da semana antes da decisão crucial do Fed sobre os juros

Veja o que você precisa saber nesta quarta-feira, 28 de outubro:

O dólar americano (USD) segue firme frente às demais moedas no início desta quarta-feira, com o Índice do Dólar em novas máximas de duas semanas, perto de 102,50, após registrar ganhos por três dias consecutivos. Mais tarde, na sessão americana, o Federal Reserve (Fed) anunciará sua decisão sobre a taxa de juros após a reunião de política monetária de dois dias, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, comentará as perspectivas em uma coletiva de imprensa.

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A expectativa predominante nos mercados é de que o Fed mantenha a política monetária inalterada, com a taxa dos fed funds estável na faixa de 3,75% a 4%. O rendimento do título de referência do Tesouro dos EUA de 10 anos permanece acima de 5% após uma recuperação moderada, e os futuros dos índices acionários americanos operam sem direção única, refletindo uma postura cautelosa.

USD se estabiliza com impulso persistente da IA e foco no Fed se volta para dezembro

Estrategistas do OCBC observam que o dólar americano “ficou praticamente estável durante a noite, com a retomada do apetite por risco ligado à IA e o recuo dos preços do petróleo”. Eles reconhecem que “o impulso da IA pode perder força em 2027”, mas argumentam que “ainda é cedo demais para se posicionar a favor de um USD mais fraco em função de uma desaceleração da IA”. Por enquanto, avaliam que “o risco de uma postura mais restritiva do Fed deve sustentar o USD, embora as operações com a moeda estejam se tornando menos unidirecionais”.

Sobre a política monetária, o OCBC afirma: “esperamos que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados em outubro, com o foco se voltando rapidamente para dezembro”. Os estrategistas destacam que “o índice de preços ao consumidor (CPI) de setembro surpreendeu para cima, enquanto a maioria dos participantes do FOMC já havia indicado que outra alta dos juros poderia ser apropriada até o fim do ano”, mantendo em aberto a perspectiva de um aperto monetário adicional.

Durante a sessão asiática, o Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ) anunciou que manteve a taxa básica de juros inalterada em 2,75%, contrariando a expectativa do mercado de uma alta de 25 pontos-base (pb). No comunicado de política monetária, o RBNZ observou que aumentos dos juros são prováveis no futuro, mas acrescentou que eles dependem das perspectivas econômicas. O NZD/USD ficou sob forte pressão vendedora após o anúncio do RBNZ e, na última cotação, recuava 1,3% no dia, perto de 0,5600.

Os dados da Austrália divulgados nesta quarta-feira mostraram que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 4,3% na comparação anual. O resultado veio após a alta de 4% registrada em agosto e superou a expectativa do mercado, de 4,2%. O AUD/USD mantém ganhos diários moderados, perto de 0,7030, após atingir o maior nível em um mês, acima de 0,7050, na esteira dos dados de inflação.

O USD/CAD avança ligeiramente no início desta quarta-feira e é negociado acima de 1,4050. O Banco do Canadá (BoC) também anunciará suas decisões de política monetária mais tarde, e os mercados preveem um aumento de 25 pb na taxa de juros, de 2,25% para 2,5%.

O EUR/USD permanece pressionado após perder mais de 0,4% na terça-feira e recua em direção a 1,1100.

O GBP/USD amplia a queda e é negociado abaixo de 1,3300 na sessão europeia desta quarta-feira, após três dias consecutivos de perdas.

O ouro apresentou uma correção de alta na terça-feira e ganhou mais de 1% no dia. O metal precioso oscila em uma faixa estreita, em torno de US$ 4.050, no início desta quarta-feira.

Ouro se estabiliza acima de patamar importante com reunião do Fed no foco

Estrategistas do ING observam que o ouro “voltou a superar US$ 4.000 por onça após cair brevemente abaixo desse nível importante na sessão de terça-feira, à medida que as atenções se voltam para a reunião do Federal Reserve de 28 de outubro”. Eles acrescentam que o metal está “voltando a se firmar depois que a correção recente atraiu investidores em busca de pechinchas e compradores de ouro físico”, embora alertem que “as saídas de recursos dos ETFs têm sido um fator desfavorável recentemente”.

O USD/JPY permanece em uma fase de consolidação acima de 157,50 após registrar ganhos na segunda e na terça-feira.

Perguntas frequentes sobre o Fed

A política monetária dos EUA é definida pelo Federal Reserve (Fed). O Fed tem um duplo mandato: alcançar a estabilidade de preços e promover o pleno emprego. Seu principal instrumento para atingir esses objetivos é o ajuste das taxas de juros. Quando os preços sobem rápido demais e a inflação fica acima da meta de 2% do Fed, a instituição eleva as taxas de juros, aumentando os custos dos empréstimos em toda a economia. Isso fortalece o dólar americano (USD), pois torna os EUA um destino mais atraente para os investidores internacionais aplicarem seus recursos. Quando a inflação cai abaixo de 2% ou a taxa de desemprego está muito alta, o Fed pode reduzir as taxas de juros para estimular a tomada de empréstimos, o que pressiona o dólar.

O Federal Reserve (Fed) realiza oito reuniões de política monetária por ano, nas quais o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) avalia as condições econômicas e toma decisões de política monetária. Participam do FOMC doze dirigentes do Fed: os sete membros do Conselho de Governadores, o presidente do Federal Reserve de Nova York e quatro dos onze presidentes dos demais bancos regionais do Federal Reserve, que cumprem mandatos de um ano em sistema de rodízio.

Em situações extremas, o Federal Reserve pode recorrer a uma política chamada afrouxamento quantitativo (QE). O QE é o processo pelo qual o Fed aumenta substancialmente o fluxo de crédito em um sistema financeiro travado. É uma medida de política monetária não convencional utilizada durante crises ou quando a inflação está extremamente baixa. Foi o instrumento preferido do Fed durante a Grande Crise Financeira de 2008. Esse processo envolve a emissão de mais dólares pelo Fed e sua utilização para comprar títulos de alta qualidade de crédito de instituições financeiras. O QE geralmente enfraquece o dólar americano.

O aperto quantitativo (QT) é o processo inverso ao QE, no qual o Federal Reserve deixa de comprar títulos de instituições financeiras e não reinveste em novos títulos o principal recebido no vencimento dos títulos que mantém em carteira. Em geral, esse processo favorece a valorização do dólar americano.