
O USD/CAD avança pelo terceiro dia consecutivo, sendo negociado em torno de 1,4060 durante a sessão europeia desta quarta-feira. A expectativa é de que o Banco do Canadá (BoC) eleve a taxa de juros em 25 pontos-base ainda hoje.

A análise técnica do gráfico diário mostra que a cotação do par permanece dentro do padrão de cunha descendente, indicando um possível rompimento de alta à medida que o impulso vendedor perde força.
O par USD/CAD mantém um viés de baixa no curto prazo, com a cotação à vista permanecendo logo abaixo de um agrupamento estreito de médias móveis exponenciais (MMEs). A MME de 50 dias, próxima de 1,4066, e a MME de nove dias, em torno de 1,4068, atuam como resistências imediatas.
O par USD/CAD recuou para baixo desses indicadores de tendência após não conseguir sustentar as máximas recentes, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 dias, em torno de 45, sugere a continuidade do impulso de baixa, e não uma condição clara de sobrevenda.
No cenário de baixa, o par USD/CAD pode recuar em direção ao limite inferior da cunha descendente, próximo de 1,3950. Um rompimento abaixo da cunha poderia pressionar o par em direção à região da mínima de cinco meses de 1,3732, registrada em 21 de maio. O próximo suporte está em 1,3481, o menor nível desde outubro de 2024.
O par USD/CAD testa a confluência de resistências imediatas nas MMEs de 50 e nove dias, em 1,4066 e 1,4067, respectivamente, alinhada ao limite superior da cunha descendente. Um avanço acima dessa confluência abriria caminho para o par testar a região da máxima de quase 18 meses de 1,4299, registrada em 14 de outubro.
Os estrategistas do ABN Amro esperam que o Fed mantenha os juros na reunião desta semana, alertando para “algum risco de votos divergentes a favor de um aperto monetário”, mesmo que a instituição opte por não alterar as taxas. Eles reconhecem que “a inflação continua elevada demais”, mas argumentam que “a menor disseminação das pressões inflacionárias e um mercado de trabalho menos aquecido dão ao Fed margem para esperar”. Refletindo essa mudança de tom, observam que os mercados “reduziram acentuadamente a probabilidade de uma alta em outubro, e a alta de dezembro já não está totalmente precificada”. Ainda assim, o ABN Amro continua prevendo “uma última alta de 25 pontos-base em dezembro, seguida por um período prolongado de manutenção dos juros”.
Os analistas do MUFG/BTMU destacam que a precificação do mercado para a decisão do BoC de hoje implica atualmente “uma probabilidade de 80% de uma alta dos juros”, um nível que, segundo eles, “não permite tratar a alta como certa, e há margem para uma surpresa”. Eles sugerem que, embora os investidores apostem mais em um novo aumento pelo BoC, o resultado permanece suficientemente incerto para manter a reunião como um evento em aberto para os mercados.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
Os principais fatores que influenciam o dólar canadense (CAD) são o nível das taxas de juros definidas pelo Banco do Canadá (BoC), o preço do petróleo, principal produto de exportação do país, a saúde da economia canadense, a inflação e a balança comercial, que corresponde à diferença entre o valor das exportações e o das importações do Canadá. Outros fatores incluem o sentimento do mercado, ou seja, se os investidores estão ampliando a exposição a ativos de maior risco (apetite por risco) ou buscando ativos de refúgio (aversão ao risco), sendo o apetite por risco favorável ao CAD. Como os Estados Unidos são o maior parceiro comercial do Canadá, a saúde da economia americana também é um fator importante para o dólar canadense.
O Banco do Canadá (BoC) exerce uma influência significativa sobre o dólar canadense ao definir o nível da taxa de juros dos empréstimos entre bancos. Isso influencia o nível das taxas de juros para todos os demais agentes da economia. O principal objetivo do BoC é manter a inflação entre 1% e 3%, ajustando as taxas de juros para cima ou para baixo. Taxas de juros relativamente mais altas tendem a ser positivas para o CAD. O Banco do Canadá também pode recorrer à flexibilização e ao aperto quantitativos para influenciar as condições de crédito, sendo a primeira medida desfavorável ao CAD e a segunda, favorável.
O preço do petróleo é um fator importante para o valor do dólar canadense. Como o petróleo é o principal produto de exportação do Canadá, seu preço tende a ter um impacto imediato sobre o valor do CAD. Em geral, quando o preço do petróleo sobe, o CAD também se valoriza, pois a demanda agregada pela moeda aumenta. O contrário ocorre quando o preço do petróleo cai. Preços mais altos do petróleo também tendem a aumentar a probabilidade de um superávit comercial, o que igualmente favorece o CAD.
Embora a inflação tenha sido tradicionalmente considerada um fator negativo para uma moeda, por reduzir seu poder de compra, o contrário tem ocorrido nos tempos modernos, com a flexibilização dos controles sobre os fluxos internacionais de capital. Uma inflação mais alta tende a levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros, o que atrai mais capital de investidores globais em busca de aplicações rentáveis. Isso aumenta a demanda pela moeda local, que, no caso do Canadá, é o dólar canadense.
A divulgação de dados macroeconômicos permite avaliar a saúde da economia e pode afetar o dólar canadense. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção do CAD. Uma economia forte é favorável ao dólar canadense. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o Banco do Canadá a elevar as taxas de juros, levando à valorização da moeda. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, o CAD tende a cair.