
O Statistics Canada divulgará sua Pesquisa da Força de Trabalho de outubro na sexta-feira, às 13h30 GMT, e os mercados esperam uma recuperação modesta do emprego após a forte queda de setembro. A taxa de desemprego também será acompanhada de perto, já que os novos números podem influenciar o dólar canadense (CAD). O relatório será divulgado em um momento em que o mercado de trabalho canadense continua enfrentando incertezas em torno das tarifas dos Estados Unidos (EUA), que têm prejudicado as perspectivas de contratação nos setores mais sensíveis ao comércio exterior. Os investidores acompanharão de perto se as condições de emprego estão se estabilizando após a economia eliminar quase 110 mil postos de trabalho em agosto e setembro.

O Royal Bank of Canada (RBC) observa que a queda do emprego em setembro se concentrou principalmente em postos do setor público, sobretudo nas áreas de educação e saúde, e não nos setores diretamente expostos às tarifas dos EUA. O RBC também destaca sinais iniciais de melhora na demanda por contratações em outubro, sugerindo que as restrições comerciais podem ter interrompido a recuperação do mercado de trabalho sem provocar uma deterioração mais ampla.
Os números do emprego ganham especial importância depois que o Banco do Canadá (BoC) elevou sua taxa básica de juros em 28 de outubro, no primeiro aumento em mais de três anos. Embora o banco central tenha deixado a porta aberta para um aperto monetário adicional, as próximas decisões dependerão dos novos dados de crescimento econômico e inflação.
Nesse contexto, um relatório de emprego mais forte do que o esperado pode reforçar as expectativas de novas altas dos juros pelo BoC, principalmente se vier acompanhado de um crescimento salarial resiliente. Por outro lado, outro resultado decepcionante pode ampliar as preocupações com a capacidade da economia canadense de resistir às tensões comerciais persistentes e incentivar as autoridades monetárias a adotar uma postura mais cautelosa.
O consenso dos analistas aponta para a manutenção da taxa de desemprego do Canadá em 6,5% em outubro. Além disso, os analistas esperam que a economia crie cerca de 13,6 mil empregos, revertendo parcialmente a expressiva perda de 68,3 mil postos registrada em setembro.
O RBC prevê um aumento um pouco maior, de 15 mil empregos, e uma ligeira queda da taxa de desemprego para 6,4%. O banco argumenta que o impacto das tarifas dos EUA continua concentrado nos setores diretamente afetados, enquanto mais de 80% das exportações canadenses para os EUA seguem se beneficiando do acesso isento de tarifas previsto no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
Além dos números gerais, os participantes do mercado darão atenção especial ao emprego na indústria de transformação, aos postos de trabalho em tempo integral, ao crescimento salarial e à taxa de participação na força de trabalho para avaliar se o mercado de trabalho canadense está mostrando sinais de estabilização.
O Statistics Canada publicará seu relatório de emprego de outubro na sexta-feira, às 13h30 GMT. Um resultado mais forte do que o esperado pode dar sustentação ao dólar canadense, principalmente se vier acompanhado de uma queda do desemprego e de um crescimento salarial mais robusto, reforçando as expectativas de aperto monetário adicional pelo BoC.
Por outro lado, outro relatório de emprego decepcionante pode pressionar o dólar canadense ao reduzir as expectativas de novas altas dos juros, especialmente se as perdas de postos de trabalho se estenderem para além dos setores diretamente afetados pelas restrições comerciais dos EUA.
A divulgação simultânea do relatório de emprego dos EUA também pode ampliar a volatilidade do par USD/CAD, à medida que os investidores avaliam a força relativa dos dois mercados de trabalho e suas implicações para a política monetária.
O USD/CAD opera com viés de alta em torno de 1,4070 na sexta-feira, sustentado pelo fortalecimento do dólar americano (USD) em meio à cautela do mercado antes da divulgação dos relatórios de emprego dos dois países.

No gráfico de uma hora, o USD/CAD mantém um viés favorável à alta no curto prazo, com a cotação acima das médias móveis simples (SMAs) de 100 e 200 períodos, agrupadas logo abaixo de 1,4000, enquanto testa uma resistência horizontal de referência em 1,4070. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está em uma zona de forte sobrecompra, próximo de 82, sinalizando que o impulso de alta é intenso, mas está cada vez mais esticado à medida que o par avança.
Na direção de alta, um rompimento claro acima de 1,4070 voltaria o foco para a resistência imediata em 1,4115, onde uma barreira horizontal pode limitar novos ganhos caso os compradores não consigam dar continuidade ao movimento de rompimento. Na direção de baixa, o primeiro suporte está no nível psicológico em torno de 1,4000, seguido pela SMA de 200 períodos, próxima de 1,3993. A SMA de 100 períodos, em torno de 1,3981, e o nível horizontal de 1,3930 formam uma zona de demanda mais abaixo, caso ocorra um recuo corretivo.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A variação líquida do emprego, divulgada pelo Statistics Canada, mede a mudança no número de pessoas empregadas no Canadá. De modo geral, uma alta desse indicador tem implicações positivas para os gastos dos consumidores e sinaliza crescimento econômico. Portanto, um resultado elevado é visto como favorável à valorização do dólar canadense (CAD), enquanto um resultado baixo é considerado desfavorável à moeda.
Leia mais.Próxima divulgação: Sex., 06 de nov. de 2026 13:30
Frequência: Mensal
Consenso: 13,6 mil
Anterior: -68,3 mil
Fonte:Instituto de Estatística do Canadá
As estatísticas do mercado de trabalho do Canadá costumam ter um impacto significativo sobre o dólar canadense, sendo a variação do emprego o indicador de maior peso. Há uma correlação significativa entre o número de pessoas empregadas e o consumo, o que afeta a inflação e as decisões do Banco do Canadá sobre as taxas de juros, influenciando, por sua vez, a cotação do C$. Resultados acima do consenso tendem a favorecer a valorização do CAD, e os mercados de câmbio geralmente reagem de forma gradual e consistente à divulgação.
As condições do mercado de trabalho são um elemento fundamental para avaliar a saúde de uma economia e, portanto, um dos principais fatores que determinam o valor de uma moeda. Um nível elevado de emprego, ou baixo desemprego, favorece os gastos dos consumidores e, consequentemente, o crescimento econômico, impulsionando o valor da moeda local. Além disso, um mercado de trabalho muito apertado – situação em que faltam trabalhadores para preencher as vagas disponíveis – também pode afetar os níveis de inflação e, por consequência, a política monetária, pois a baixa oferta de mão de obra e a alta demanda levam a salários mais elevados.
O ritmo de crescimento dos salários em uma economia é fundamental para os responsáveis pela formulação de políticas econômicas. Um forte crescimento salarial significa que as famílias têm mais dinheiro para gastar, o que geralmente leva a aumentos nos preços dos bens de consumo. Ao contrário de fontes mais voláteis de inflação, como os preços da energia, o crescimento dos salários é considerado um componente importante da inflação subjacente e persistente, pois é pouco provável que os aumentos salariais sejam revertidos. Os bancos centrais de todo o mundo acompanham de perto os dados de crescimento salarial ao decidir sobre a política monetária.
O peso que cada banco central atribui às condições do mercado de trabalho depende de seus objetivos. Alguns bancos centrais têm mandatos explícitos relacionados ao mercado de trabalho, além do controle da inflação. O Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed), por exemplo, tem o duplo mandato de promover o máximo emprego e a estabilidade de preços. Já o Banco Central Europeu (BCE) tem como único mandato manter a inflação sob controle. Ainda assim, independentemente de seus mandatos, as condições do mercado de trabalho são um fator importante para os responsáveis pela formulação de políticas econômicas, por serem um indicador relevante da saúde da economia e terem uma relação direta com a inflação.