
O ouro (XAU/USD) amplia os ganhos nesta quinta-feira, afastando-se ainda mais da mínima do ano de US$ 3.870 atingida na semana passada. O metal atrai compradores à medida que os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA alimentam a volatilidade nos mercados financeiros. No momento da redação, o XAU/USD é negociado em torno de US$ 4.130, perto das máximas de duas semanas.

O metal precioso disparou 3,64% na quarta-feira, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) despencou 8%, com os investidores especulando que uma vitória ampla dos democratas no Congresso poderia restringir o financiamento da campanha militar de Trump contra o Irã e aumentar a pressão pelo fim da guerra, agora em seu nono mês.
Além disso, a perspectiva de um governo dividido alivia as preocupações com o cenário fiscal, já que a aprovação de novos cortes de impostos ou pacotes de gastos poderia se tornar mais difícil. Isso favorece a compra de títulos do Tesouro dos EUA e reduz seus rendimentos, pressionando o dólar americano (USD). A queda dos preços do petróleo também traz algum alívio às preocupações com a inflação e, em conjunto, esses desdobramentos renovam a demanda por ouro.
No entanto, a pressão de baixa sobre o dólar americano, os rendimentos dos títulos do Tesouro e os preços do petróleo diminui nesta quinta-feira, após o forte recuo do dia anterior, o que deve limitar novas altas do ouro.
Enquanto isso, a perspectiva de uma postura restritiva do Federal Reserve (Fed) continua sendo um importante obstáculo para o ouro. Os preços do petróleo ainda estão bem acima dos níveis anteriores à guerra, mantendo vivos os riscos inflacionários. Com o Fed comprometido em trazer a inflação de volta à meta de 2%, os investidores esperam que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo e antecipam uma alta dos juros em dezembro, com a ferramenta CME FedWatch indicando uma probabilidade de cerca de 79%.
Custos de financiamento mais altos pressionam o metal, que não oferece rendimento, ao aumentar o custo de oportunidade de mantê-lo em carteira.
As atenções agora se voltam para os dados de emprego dos EUA, que podem influenciar as expectativas sobre a trajetória da política monetária do Fed. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego serão divulgados ainda nesta quinta-feira, seguidos pelo relatório de emprego não agrícola (NFP) na sexta-feira.

No gráfico diário, o XAU/USD mantém um potencial de alta limitado, com a cotação à vista abaixo das médias móveis de médio e longo prazo. A média móvel simples (MMS) de 21 dias, em US$ 4.077, agora sustenta a recuperação como suporte imediato, mas o preço permanece abaixo das MMS de 50, 100 e 200 dias.
O impulso melhorou, com o Índice de Força Relativa perto de 52 e o indicador de Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) passando para o terreno positivo, o que sugere uma retomada da pressão compradora, mas ainda não reverte a configuração estrutural de baixa.
Em caso de queda, o suporte inicial está na MMS de 21 dias, em torno de US$ 4.077, seguido pelo nível psicológico de US$ 4.000 e pela mínima do ano de US$ 3.870.
Em caso de alta, a resistência imediata está nas MMS de 100 e 50 dias, muito próximas entre si, em US$ 4.203 e US$ 4.206, respectivamente. Uma barreira mais significativa aparece na MMS de 200 dias, perto de US$ 4.468. Apenas um fechamento diário claramente acima desse conjunto de médias móveis começaria a aliviar o viés de baixa predominante.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O ouro desempenhou um papel fundamental na história da humanidade, tendo sido amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso na joalheria, o metal precioso é amplamente visto como um ativo de refúgio, ou seja, é considerado um bom investimento em períodos de turbulência. O ouro também é amplamente considerado uma proteção contra a inflação e a desvalorização das moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.
Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Com o objetivo de sustentar suas moedas em períodos de turbulência, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a percepção de solidez da economia e da moeda. Reservas elevadas de ouro podem ser uma fonte de confiança na solvência de um país. Os bancos centrais acrescentaram 1.136 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de US$ 70 bilhões, às suas reservas em 2022, segundo dados do Conselho Mundial do Ouro. Esse é o maior volume anual de compras desde o início da série histórica. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.
O ouro tem uma correlação inversa com o dólar americano e os títulos do Tesouro dos EUA, ambos importantes ativos de reserva e de refúgio. Quando o dólar se desvaloriza, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em períodos de turbulência. O ouro também apresenta correlação inversa com os ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto ondas de vendas nos mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.
O preço pode variar em função de uma ampla gama de fatores. A instabilidade geopolítica ou os temores de uma recessão profunda podem fazer o preço do ouro disparar rapidamente devido à sua condição de ativo de refúgio. Por ser um ativo que não oferece rendimento, o ouro tende a subir quando os juros caem, enquanto um custo do dinheiro mais alto geralmente pressiona o metal. Ainda assim, a maioria dos movimentos depende do comportamento do dólar americano (USD), já que o ativo é cotado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a conter o preço do ouro, enquanto um dólar mais fraco tende a impulsioná-lo.