
O peso mexicano se valoriza cerca de 0,32% no dia frente ao dólar americano, mas ainda caminha para encerrar a semana com perdas superiores a 1%, em meio à deterioração do apetite por risco diante de uma possível escalada do conflito no Oriente Médio. O USD/MXN é negociado a 18,66, após atingir 18,80.

O conflito entre os EUA e o Irã continua se intensificando, com o presidente americano, Donald Trump, afirmando que “podemos realizar outra operação contra o Irã”. Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ataca embarcações que utilizam “rotas ilegais” no Estreito de Ormuz, enquanto as trocas de tiros entre os houthis e as forças sauditas deterioraram ainda mais o sentimento do mercado.
No México, a agenda econômica mostrou que a atividade econômica cresceu 0,6% em agosto na comparação mensal, segundo o Indicador Global da Atividade Econômica (IGAE). Em termos anuais, a alta foi de 3,3%. Esses números costumam ser divulgados antes dos dados do Produto Interno Bruto (PIB).
Nos EUA, o Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan recuou ligeiramente de 48,1 para 48 em outubro, o menor nível em cinco meses, em meio à alta dos preços da energia e à expectativa dos consumidores de que o Fed manteria os juros elevados por mais tempo. As expectativas de inflação ficaram inalteradas, mas permaneceram acima da meta de 2% do Fed: 4,7% para os próximos 12 meses e 3,5% para o horizonte de cinco anos.
Os índices de gerentes de compras (PMIs) da S&P Global nos EUA mostraram avanço da atividade industrial de 55,9 para 56 e desaceleração nos serviços de 58,8 para 57,9, em linha com as expectativas dos analistas.
Na semana passada, os dados de inflação dos EUA vieram elevados tanto nos preços ao produtor quanto nos preços ao consumidor, abrindo caminho para um aperto monetário adicional pelo Federal Reserve. Ainda assim, os investidores descartaram uma alta dos juros na reunião do Fed da próxima semana. Para dezembro, porém, a probabilidade é de 78%, segundo a Prime Terminal.
Na próxima semana, a agenda econômica dos EUA terá a reunião de política monetária do Federal Reserve, seguida pela divulgação do indicador de inflação preferido do Fed, o núcleo do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE).
No México, a agenda terá a divulgação dos dados do PIB na sexta-feira, 30 de outubro.
No gráfico diário, o USD/MXN é negociado a 18,6532, ampliando seu avanço bem acima das médias móveis simples agrupadas em torno de 17,5753 e da antiga resistência da tendência de baixa, agora transformada em suporte, perto de 14,8414. Esse posicionamento mantém o viés altista no curto prazo, com o par confortavelmente acima do suporte horizontal em 16,8866. O Índice de Força Relativa (14), em 70,48, se aproxima da região de sobrecompra, sugerindo que, embora a pressão de alta continue predominante, o movimento pode estar sujeito a períodos de consolidação ou a correções pouco profundas.
Em caso de queda, a demanda inicial aparece na região das médias móveis simples agrupadas em torno de 17,58, que reforçam a estrutura altista mais ampla, antes do suporte horizontal em 16,89. Recuos mais acentuados ainda encontrariam sustentação na linha de tendência de baixa rompida, ancorada perto de 14,84. Sem níveis de resistência relevantes imediatamente acima no cenário atual, a cotação pode continuar testando patamares mais altos enquanto o USD/MXN se mantiver acima da zona de suporte em 17,58.
(A análise técnica desta notícia foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O peso mexicano (MXN) é a moeda mais negociada entre as moedas latino-americanas. Seu valor é determinado, em grande parte, pelo desempenho da economia mexicana, pela política do banco central do país, pelo volume de investimento estrangeiro no país e até pelo volume de remessas enviadas por mexicanos que vivem no exterior, especialmente nos Estados Unidos. As tendências geopolíticas também podem movimentar o MXN: por exemplo, o processo de nearshoring – ou a decisão de algumas empresas de transferir a capacidade produtiva e as cadeias de suprimentos para locais mais próximos de seus países de origem – também é visto como um catalisador para a moeda mexicana, já que o país é considerado um importante polo industrial no continente americano. Outro catalisador para o MXN são os preços do petróleo, pois o México é um importante exportador da commodity.
O principal objetivo do banco central do México, também conhecido como Banxico, é manter a inflação em níveis baixos e estáveis (na meta de 3% ou próximo dela, o ponto médio de uma faixa de tolerância entre 2% e 4%). Para isso, o banco define um nível adequado para as taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o Banxico tenta contê-la elevando os juros, o que encarece o crédito para famílias e empresas e, assim, esfria a demanda e a economia como um todo. Taxas de juros mais altas geralmente favorecem o peso mexicano (MXN), pois proporcionam retornos maiores, tornando o país mais atraente para os investidores. Por outro lado, juros mais baixos tendem a enfraquecer o MXN.
A divulgação de dados macroeconômicos é fundamental para avaliar o estado da economia e pode afetar a cotação do peso mexicano (MXN). Uma economia mexicana forte, sustentada por crescimento econômico elevado, baixo desemprego e confiança alta, é favorável ao MXN. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o Banco do México (Banxico) a elevar os juros, especialmente se essa força vier acompanhada de inflação elevada. No entanto, se os dados econômicos forem fracos, o MXN tende a se desvalorizar.
Como moeda de um mercado emergente, o peso mexicano (MXN) tende a se valorizar em períodos de maior apetite por risco, ou quando os investidores percebem que os riscos gerais do mercado são baixos e, por isso, se mostram dispostos a realizar investimentos de maior risco. Por outro lado, o MXN tende a se enfraquecer em momentos de turbulência nos mercados ou de incerteza econômica, pois os investidores costumam vender ativos de maior risco e buscar refúgios mais estáveis.