
O par NZD/USD se estabiliza perto de 0,5705 nas primeiras horas da sessão asiática de quinta-feira. O dólar neozelandês (NZD) reduz os ganhos frente ao dólar americano (USD) após dados de inflação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) abaixo do esperado. O relatório semanal de pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos será divulgado ainda nesta quinta-feira.

Dados divulgados pela Statistics New Zealand nesta quinta-feira mostraram que a inflação ao consumidor do país recuou para 3,7% em termos anuais no terceiro trimestre, ante 4,1% na leitura anterior. O resultado ficou abaixo da previsão de 3,8%. Na comparação trimestral, o CPI subiu 0,7% no terceiro trimestre, ante 1,5% no segundo, abaixo da alta de 0,8% esperada.
O Kiwi recua ligeiramente na reação imediata aos dados mais fracos de inflação. No entanto, o indicador permaneceu acima do limite superior do intervalo da meta do Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ), reforçando as expectativas de que o banco central elevará os juros na próxima semana.
Os mercados precificam atualmente uma probabilidade de quase 98% de que o RBNZ volte a elevar os juros na próxima semana e uma chance de 100% de que as altas somem 50 pontos-base até o fim de fevereiro, segundo a Reuters.
Nos Estados Unidos, os operadores avaliam as perspectivas para a trajetória dos juros do Federal Reserve (Fed) antes da reunião de política monetária da próxima semana. Na semana passada, o presidente do Fed, Kevin Warsh, não deu sinais sobre se considera necessárias novas altas dos juros, nem sobre quando elas poderiam ocorrer.
“Não há propriamente um tema central nos mercados... e acho que isso vai continuar assim pelo menos até a reunião do FOMC na próxima semana”, disse Shaun Osborne, estrategista-chefe de câmbio do Scotiabank. “Precisamos ter uma ideia do que o Fed está pensando.”
Analistas do ING observam que os mercados vêm consolidando gradualmente suas expectativas de uma política monetária mais restritiva, com os investidores “precificando cerca de 18 a 21 pontos-base para a reunião da próxima semana desde que o economista-chefe do RBNZ, Paul Conway, fez declarações de tom restritivo na semana passada”. Eles destacam que Conway “disse explicitamente que a decisão deste mês está totalmente em aberto, que vê risco de uma surpresa de alta na inflação ao consumidor do quarto trimestre e que a fraqueza do NZD é preocupante”, uma comunicação que, segundo o ING, “pareceu uma tentativa de levar o mercado a precificar uma alta maior dos juros”. Nesse contexto, o banco argumenta que, “salvo uma grande surpresa de baixa no CPI amanhã, esperamos uma alta de 25 pontos-base na próxima semana”.
No mercado cambial, o ING ressalta que “o NZD continua barato em relação ao seu modelo de valor justo de curto prazo” e que “espera que ele continue recuperando terreno frente à moeda mais comparável, o AUD”. Em seu cenário-base, “vemos o NZD/USD sendo negociado acima de 0,570 até o fim do ano”, já que a combinação do discurso restritivo do RBNZ com a subvalorização sustenta novas altas do Kiwi.
O presidente do Fed, Warsh, transmitiu uma mensagem moderadamente positiva, mas cautelosa, com uma pontuação de 5,6/10 no FXS Speechtracker, indicando um tom ligeiramente mais brando em relação à média histórica de 6,1/10. A admissão de estar “excessivamente marcado pela crise financeira global” evidencia uma tendência persistente de se proteger contra riscos de deterioração econômica e de instabilidade financeira, mesmo enquanto Warsh aponta para o crescimento estrutural e uma forte expansão dos investimentos impulsionada por “boas políticas”. A ênfase em não antecipar as decisões das reuniões de outubro e dezembro, juntamente com os comentários de que a inteligência artificial (IA) afetará a demanda antes da oferta e de que seus efeitos sobre o emprego no curto prazo são incertos, reforça uma postura dependente dos dados, que atenua qualquer sinal imediato de uma política mais restritiva favorável ao dólar.
O FXS Fed Sentiment Index permaneceu inalterado, com variação de 0,00 ponto, mantendo-se em 127,51, nível que indica uma postura firmemente restritiva. Isso sugere que o discurso não alterou de forma relevante a trajetória esperada da política monetária, apesar da pontuação ligeiramente mais baixa no FXS Speechtracker. Com o índice bem acima de 100, os mercados ainda veem o Fed inclinado a uma postura restritiva, mas o foco de Warsh na consolidação dos dados de produção, emprego e inflação, além dos riscos extremos, sugere uma avaliação mais nuançada do balanço de riscos, e não uma mudança clara no discurso favorável à valorização do dólar.
No gráfico diário, o NZD/USD se mantém acima da linha central das Bandas de Bollinger e bem acima da banda inferior, sugerindo uma possível formação de fundo dentro da faixa recente. No entanto, o par ainda é negociado abaixo da Média Móvel Simples (MMS) de 100 dias, o que limita uma recuperação mais ampla. O Índice de Força Relativa (14) avançou para cerca de 56, sinalizando uma melhora do impulso de alta, ainda sem força decisiva, enquanto o preço oscila entre o suporte das bandas e a barreira de tendência situada acima.
Na alta, a MMS de 100 dias em 0,5775 é a primeira resistência relevante; um fechamento diário acima desse nível abriria espaço para uma recuperação mais sustentada. Na baixa, o suporte inicial coincide com a região da banda superior de Bollinger, em torno de 0,5705, seguido pela linha central das bandas, perto de 0,5635. Uma ruptura abaixo da banda inferior, em aproximadamente 0,5565, deixaria o par sujeito a uma queda mais acentuada dentro da faixa predominante.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O dólar neozelandês (NZD), também conhecido como Kiwi, é uma moeda bastante negociada entre os investidores. Seu valor é determinado, em grande parte, pela saúde da economia da Nova Zelândia e pela política do banco central do país. Ainda assim, algumas particularidades também podem movimentar o NZD. O desempenho da economia chinesa tende a influenciar o Kiwi, pois a China é o maior parceiro comercial da Nova Zelândia. Notícias negativas sobre a economia chinesa provavelmente significam menos exportações neozelandesas para o país, prejudicando a economia e, consequentemente, sua moeda. Outro fator que influencia o NZD são os preços dos laticínios, já que esse setor é o principal segmento exportador da Nova Zelândia. Preços elevados dos laticínios aumentam a receita de exportações, contribuindo positivamente para a economia e, portanto, para o NZD.
O Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ) busca alcançar e manter uma taxa de inflação entre 1% e 3% no médio prazo, com foco em mantê-la próxima do ponto médio de 2%. Para isso, o banco estabelece um nível adequado para as taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o RBNZ eleva os juros para desacelerar a economia, mas essa medida também aumenta os rendimentos dos títulos, tornando o investimento no país mais atraente e, assim, fortalecendo o NZD. Por outro lado, juros mais baixos tendem a enfraquecer o NZD. O chamado diferencial de juros, ou seja, como as taxas na Nova Zelândia se comparam ou devem se comparar às estabelecidas pelo Federal Reserve dos Estados Unidos, também pode desempenhar um papel importante na movimentação do par NZD/USD.
As divulgações de dados macroeconômicos da Nova Zelândia são fundamentais para avaliar a situação da economia e podem afetar a cotação do dólar neozelandês (NZD). Uma economia forte, sustentada por crescimento econômico elevado, baixo desemprego e alta confiança, é favorável ao NZD. O crescimento econômico elevado atrai investimentos estrangeiros e pode incentivar o Banco da Reserva da Nova Zelândia a elevar os juros, caso essa força econômica venha acompanhada de inflação alta. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, o NZD tende a se desvalorizar.
O dólar neozelandês (NZD) tende a se fortalecer em períodos de maior apetite por risco, ou quando os investidores consideram baixos os riscos gerais do mercado e estão otimistas quanto ao crescimento. Isso costuma levar a perspectivas mais favoráveis para as commodities e para as chamadas “moedas ligadas a commodities”, como o Kiwi. Por outro lado, o NZD tende a se enfraquecer em momentos de turbulência nos mercados ou de incerteza econômica, pois os investidores costumam vender ativos de maior risco e buscar refúgios mais estáveis.