
O dólar americano (USD) apresenta desempenho inferior ao das principais moedas devido à queda dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos (EUA), em meio ao enfraquecimento do mercado imobiliário.

Durante as negociações na Europa nesta quinta-feira, o Índice do Dólar americano (DXY), que mede o valor da moeda em relação a seis das principais divisas, registra nova mínima de três semanas, perto de 101,45. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos recuam 0,7%, para perto de 5,07%.
Analistas do Deutsche Bank destacam que a queda anterior dos rendimentos foi “sustentada por dados fracos do setor imobiliário referentes a setembro”, apontando um recuo no início de construções residenciais de “-5,2%, ante expectativa de +1,9%”, além de “uma forte desaceleração nas vendas pendentes de imóveis”, cujo “crescimento anual” caiu “ao menor nível desde 2023, de -12,6% na comparação anual”. Eles observam que esse cenário imobiliário mais fraco ajudou a reforçar a demanda moderada por títulos de maior duração na ponta longa da curva de juros dos EUA.
Enquanto isso, a narrativa de preocupações com o crescimento da inteligência artificial (IA) parece estar perdendo força, já que a Meta reiterou planos de gastos significativos em infraestrutura de IA.
Segundo o Deutsche Bank, analistas destacam que as ações da Meta subiram mais de “+2% nas negociações após o fechamento”, depois de a empresa superar as expectativas de receita do terceiro trimestre, com “US$ 64,6 bilhões, ante estimativa de US$ 63,3 bilhões”, e divulgar uma projeção para o quarto trimestre “próxima ao limite superior das expectativas”, de “US$ 73 bilhões a US$ 76 bilhões, ante estimativa de US$ 73,6 bilhões”. O Deutsche Bank também observa que a Meta “elevou ligeiramente seu plano de investimentos de capital para 2026, de uma faixa de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões para US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões”, ressaltando seu compromisso contínuo com investimentos relacionados à IA.

No gráfico diário, o Índice do Dólar à vista é negociado a 101,52. O cenário de curto prazo é neutro, com a cotação oscilando logo abaixo da média móvel exponencial (EMA) de 20 dias, em 101,65, mas permanecendo acima da retração de Fibonacci de 38,2%, em 101,26, o que sugere uma consolidação após a alta recente. O Índice de Força Relativa (RSI) de 14 períodos, em torno de 51, sinaliza perda de convicção direcional, sem que compradores ou vendedores tenham o controle claro no momento.
Na direção de alta, a resistência imediata está na EMA de 20 dias, em 101,65, seguida pela retração de Fibonacci de 23,6%, em 101,89; um rompimento sustentado acima dessas barreiras abriria caminho para a máxima recente do movimento, próxima à retração de 0,0%, em 102,91. Na direção de baixa, o suporte inicial aparece na retração de 38,2%, em 101,26, com outros suportes em 100,75 e 100,24, correspondentes às retrações de 50,0% e 61,8%. Recuos mais acentuados colocariam em foco o nível de 78,6%, em 99,52, e a base do intervalo de Fibonacci atual, perto de 98,60.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O dólar americano (USD) é a moeda oficial dos Estados Unidos da América e a moeda “de fato” de um número significativo de outros países, onde circula ao lado das cédulas locais. É a moeda mais negociada do mundo, representando mais de 88% do volume global de negociações no mercado de câmbio, ou uma média de US$ 6,6 trilhões em transações por dia, segundo dados de 2022. Após a Segunda Guerra Mundial, o USD substituiu a libra esterlina como moeda de reserva mundial. Durante a maior parte de sua história, o dólar americano foi lastreado em ouro, até o Acordo de Bretton Woods, em 1971, quando o padrão-ouro foi extinto.
O principal fator que influencia o valor do dólar americano é a política monetária, definida pelo Federal Reserve (Fed). O Fed tem dois mandatos: alcançar a estabilidade de preços (controlar a inflação) e promover o pleno emprego. Sua principal ferramenta para atingir esses dois objetivos é o ajuste das taxas de juros. Quando os preços sobem rápido demais e a inflação fica acima da meta de 2% do Fed, a instituição eleva os juros, o que favorece o valor do USD. Quando a inflação cai abaixo de 2% ou a taxa de desemprego está muito alta, o Fed pode reduzir os juros, o que pressiona o dólar americano.
Em situações extremas, o Federal Reserve também pode emitir mais dólares e adotar a flexibilização quantitativa (QE). O QE é o processo pelo qual o Fed aumenta substancialmente o fluxo de crédito em um sistema financeiro paralisado. Trata-se de uma medida não convencional de política monetária, utilizada quando o crédito se esgota porque os bancos não estão dispostos a emprestar uns aos outros, por receio de inadimplência da contraparte. É um último recurso quando a simples redução das taxas de juros provavelmente não produzirá o resultado necessário. Foi o instrumento escolhido pelo Fed para combater a contração do crédito ocorrida durante a Grande Crise Financeira de 2008. A medida envolve a emissão de mais dólares pelo Fed e seu uso na compra de títulos do governo dos EUA, predominantemente de instituições financeiras. O QE geralmente leva ao enfraquecimento do dólar americano.
O aperto quantitativo (QT) é o processo inverso, no qual o Federal Reserve deixa de comprar títulos de instituições financeiras e não reinveste em novas compras o principal dos títulos de sua carteira que vencem. Geralmente, isso é positivo para o dólar americano.